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Aug
8th

Novo gol x Celta - qual o melhor custo/benefício

Author: wbrown | Files under Carros e Motos

Honestidade é uma qualidade muito valorizada por quem é apegado ao trabalho. Luxo, sofisticação e ostentação, ao contrário, não fazem parte do mundo de um verdadeiro trabalhador. E é exatamente isso o que se espera de modelos como Volkswagen Gol, líder do mercado nacional há 21 anos, e Chevrolet Celta, terceiro automóvel mais vendido do Brasil, em suas versões 1.0: que eles sejam apenas honestos, sem pretensões luxuosas ou de ostentação, e empenhados em encarar desde o dia-a-dia de um universitário à rotina de um profissional liberal ou de uma dona de casa.

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Neste comparativo, buscamos definir quais são os melhores em itens como desempenho, espaço, equipamentos e mercado, mas, acima de tudo, queremos saber qual deles é o mais digno de seu suado dinheiro. Quem entrega mais robustez e qualidade de construção para rodar muito e valoriza cada um dos seus cerca de R$ 30 000? Justamente focando no custo/benefício, buscamos a versão básica do carro de entrada da Volkswagen (a marca lançará em breve um G4 “pelado” para concorrer com o Fiat Mille na faixa dos R$ 24 000), tabelada em R$ 28 890, e a opção intermediária do veículo mais barato da Chevrolet, o Celta 1.0 Spirit de 4 portas, com preço de R$ 29 865.

Apenas um detalhe: como a GM não dispunha desse modelo específico para empréstimo na data das fotos, utilizamos a versão Super. As análises, porém, foram feitas em relação à configuração Spirit. Confira item a item o disputado duelo entre esses “trabalhadores”.

Mecânica/desempenho

O Gol é um grande mistério. O carro é gostoso de dirigir, anda bem e é potente para um 1.0 (tem 76 cv contra 70 cv do rival), mas leva um baile do Celta na pista de testes. Exemplo: na aceleração de 0 a 100 km/h, o Volkswagen marca 18s3 contra 15s5 do Chevrolet, número que o coloca em igualdade de condições com o Fiat Stilo Sporting Dualogic, que marcou o mesmo tempo no comparativo realizado pela revista CARRO de março de 2008 (edição 173) com motor 1.8 l de 114 cv – todas as medições são realizadas com álcool.

O mesmo acontece com as retomadas: os equipamentos de teste acusaram gasto de 29s5 do Gol para ir de 60 km/h a 100 km/h em 4ª marcha, enquanto o Celta precisou de 20s8. Uma boa diferença, mas que aparece mais quando se está com o “pé embaixo” que no uso cotidiano.

Rodando na cidade, o motor VHT 1.0 de 76 cv de potência a 5 250 rpm e bons 10,6 kgfm de torque a 3 850 rpm do VW (valores obtidos com álcool) vai muito bem. É claro que o desempenho do VHC 1.0 de 70 cv a 6 400 rpm e 9,0 kgfm a 3 200 é superior, mas, na prática, a disparidade não é tão grande em função do maior torque do rival, que mesmo assim não vence em retomadas. O peso de 934 kg, 54 kg superior ao do concorrente, também o atrapalha. Conclusão: o Gol anda melhor do que seus números apontam, mas o Celta leva o primeiro round. Com folga.

Consumo

Revide do Gol. Abastecido com 100% de álcool no tanque de 55 litros, o motor VHT (Volkswagen High Torque) gasta 8,3 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada, registrando a boa média de 9,9 km/l com combustível vegetal.

O Celta cobra mais pelo desempenho superior. Seu motor VHC (Very High Compression, ou compressão muito alta) usa 7,1 km/l em percurso urbano e 10,3 km/l em trajeto rodoviário, com gasto combinado de 8,7 km/l. Na comparação, portanto, o Gol roda 1,2 km/l a mais que o Celta.

Dirigibilidade

Vitória fácil do Gol. Um dos destaques da nova geração, aliás, é a plataforma PQ24, utilizada também no Fox e no Polo, “irmãos mais velhos” do hatch de entrada. Além de ter um projeto acertado, a estrutura conta com coluna de direção e suspensão dianteira emprestadas da base PQ25, que estreou no Seat Ibiza e é a mais moderna da Volkswagen para o segmento.

Graças a ela, tudo mudou no Golzinho. Ele não “empina” mais nas acelerações nem “mergulha” nas freadas, faz curvas melhor que o Celta e lembra a condução de Fox e Polo, ou seja, é muito justo e gostoso de dirigir. O câmbio preciso também é outro destaque.

O Celta já está mais para a suavidade. Tem amortecedores macios (que deixam a carroceria inclinar muito em curvas) e duas características que incomodam: o volante torto para a esquerda (estique o braço e perceba como o esquerdo vai mais que o direito) e o câmbio, que pede uma boa dose de paciência para achar as marchas em certas ocasiões.

Acabamento/espaço/ergonomia

Basta dirigir por um quarteirão para sentir algumas diferenças. Enquanto o Celta oferece melhor visibilidade (enxergar atrás do Gol é uma tarefa difícil por causa do vidro pequeno), o Gol “veste” muito mais e deixa o motorista à vontade.

O já falado volante do modelo da Chevrolet é uma deficiência ergonômica e tanto e chega a irritar. O rádio posicionado muito embaixo também o faz ficar longe do Volks nesse quesito. Mais espaçoso e bem-acabado (a nova geração, embora ainda abuse dos plásticos, quase não traz rebarbas nas peças e é honesta nesse ponto), o VW vence a batalha.

Design/atualidade

A Volkswagen foi clara na apresentação do Gol: um dos itens que mais seduz o comprador (mesmo no segmento de entrada) é a beleza e por isso eles investiram tanto no design de seu campeão de vendas. A julgar pelo impacto inicial, os desenhistas da marca alemã acertaram a mão.

O Gol consegue passar a impressão de que é maior que seus 3,899 m de comprimento e ainda abusa do estilo com os faróis dianteiros que invadem a lateral e os vincos que cortam a carroceria. “Eles [os vincos] foram desenvolvidos para demonstrar qualidade de construção’, afirmou Gerson Barone, chefe de design da VW, na estréia do modelo.

O Celta, que é menor (3,788 m), já dá sinais da idade, apesar da reestilização pela qual passou em abril de 2006. O acabamento melhorou, mas as linhas estão defasadas perto das do Gol.

Preço/equipamentos

Por R$ 29 865 (R$ 975 a mais que os R$ 28 890 cobrados pelo Gol), o Celta conta com cintos de segurança traseiros de três pontos retráteis (eles são fixos no rival), protetor de cárter, aviso sonoro dos faróis ligados, desembaçador, limpador e lavador do vidro traseiro e preparação para som. A direção hidráulica custa R$ 1 231 e o ar-condicionado sai por R$ 3 450. Travas e vidros elétricos e outros equipamentos são vendidos como acessórios nas concessionárias (o preço não é divulgado pela marca).

De série, o Volkswagen traz a vantagem do banco do motorista e cintos de segurança dianteiros com regulagem de altura por R$ 28 890. O ar-condicionado só é vendido a partir de um kit  que custa R$ 3 420 e também inclui travas nas 4 portas e vidros elétricos dianteiros. Se o cliente quiser a direção hidráulica nesse pacote, paga R$ 1 635 a mais por ela. O equipamento não é vendido separadamente, como no Celta. No Gol, ela vem pelo menos com travas e vidros elétricos e custa R$ 2 015 nessa configuração.

Uma boa pedida é o módulo Trend (R$ 780), que equipa boa parte dos Gol vendidos até agora. Com ele, é possível dar uma incrementada no acabamento com conta-giros, revestimento de tecido nas portas, rodas de aço de 14” e a cobiçada chave canivete. Para quem quiser o carro mais completinho, o jogo com ar, direção, vidros, travas e chave canivete, entre outros, sai por R$ 5 400 a mais.

Se a direção hidráulica do Celta é R$ 434 mais barata e não está atrelada a pacotes, o Gol dá o troco com o ar-condicionado R$ 30 mais em conta e ainda oferece travas e vidros elétricos. Por partir de um valor mais baixo e ter uma grande lista de opcionais, o Volkswagen leva vantagem.

Manutenção/seguro/garantia

A garantia é de 12 meses para os dois modelos. Quando o assunto é manutenção, o pacote de peças do Celta é um pouco mais barato que o do Gol: R$ 1 642,60 contra R$ 1 800,98.

Apesar de a Volkswagen ter afirmado que o seguro do Gol cairia muito (e de fato o valor do prêmio não é absurdo, como na geração anterior), ele não foi páreo para o preço da proteção do Celta: cotadas na Tokio Marine, as apólices custam R$ 2 184,12 para o VW e R$ 1 428,01 para o Chevrolet. Ponto para o carro da GM em um importante quesito.

Mercado

Mesmo prestes a ser completamente renovado, o Gol bateu recordes de venda e mostrou a força de um nome que a própria Volkswagen confirma como “uma marca dentro da marca”. Nos sete primeiros meses deste ano, foram vendidas 169 959 unidades do modelo, média de 24 279 por mês, enquanto 85 881 Chevrolet Celta ganharam as ruas, ou 12 268 a cada 30 dias. Em julho, o Gol, já com a nova geração, bateu recordes e conquistou a garagem de 31 081 pessoas.

Com maior facilidade de revenda e desvalorização muito parecida à do Celta (de acordo com a tabela Molicar, o Chevrolet perde 12,29% e o VW, 13,91% no primeiro ano de uso), o modelo da fábrica alemã continua imbatível.

Conclusão

Finalmente o recorde de vendas do Gol fará jus a um excelente produto. Mais moderno, maior, bem-acabado e econômico que o Celta, o novo Volkswagen não dá chance ao rival da Chevrolet, que reúne muitas qualidades (é o 1.0 mais rápido já testado por nós), mas não consegue batê-lo.

Em termos de honestidade, o duelo acaba empatado, já que os dois têm baixo índice de desvalorização e custo de manutenção. Mas quando a conta aperta e a ponta do lápis define, sem dúvida o Gol “trabalha” para oferecer mais pelo seu suado dinheiro.

Fonte: Carro On Line

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